Escola Municipal Prof. Juscelino Barreto dos Santos

PROFESSOR JUSCELINO BARRETO DOS SANTOS: Um pouco de sua história.
 

 
OS MEUS MESTRES APRESSADINHOS

JUSCELINO BARRETO DOS SANTOS

Juscelino era o grande líder destes “apressadinhos”, bem como de outros que gravitavam na Educação Baiana, muito especialmente na Associação dos Professores Licenciados do Brasil – Secção da Bahia, APLB-BA, antecessora da APLB/Sindicato, entidade fundada em 1952, quando os sonhos dos profissionais do Magistério, tentavam criar uma organização nacional que assegurasse o mercado de trabalho, somente para os legalmente habilitados nas universidades, em nível superior, principalmente nos cursos de ginásio e colégio.
Este projeto de criar uma entidade nacional de “licenciados” chegou a se consolidar em muitos estados, realizando encontros e congressos regionais, e até nacionais, porém como tempo foi abandonado, na medida em que as LDBs foram avançando, ora, como no caso da Lei 5.692/70, incorporando o antigo “primário” de 5 anos, separado do “ginásio” pelo “exame de admissão”, transformando-se no “I Grau” de 8 anos, agora com 9.
Por outro lado, a exigência de uma formação superior para todos os professores, como no caso da LDB atual, Lei 9394/96, ainda em fase de implantação, que extinguirá as antigas “normalistas”, com formatura no II Grau, conferindo-lhes a Habilitação em Magistério de Nível Superior, não só pela ampliação dos cursos das Faculdades de Formação de Professores, principalmente na UNEB, ou via os Programas Especiais que assolam o país, presenciais ou de Educação à Distancia.
Assim, estas entidades foram incorporando os diversos níveis de profissionais do magistério, como a APLB-BA fez com os “licenciados curtos”, depois com “os normalistas” e até “os leigos”, além dos “técnico-administrativos” enquanto outros estados, como São Paulo se definiam por uma instituição de “professores do ensino oficial”, ou até dos “trabalhadores da Educação”, como foi o caso da UTE, de Minas Gerais. Deste modo, as Associações de Professores Licenciados de todo o Brasil foram mudando de abrangência, denominação e/ou desaparecendo.

Mas voltando a Juscelino, como ele costumava analisar sociologicamente, fruto da formação profissional, pois vindo de uma família pobre de retirantes, começara a vida profissional como cobrador de ônibus e, após sobreviver a uma tuberculose, dedicara-se a estudar, tardiamente, porisso, era sempre o “mais velho da turma”. Por esta razão, e pelo temperamento cerebral e racionalista, se constituiria em uma liderança, sempre muita ouvida e respeitada, desde os tempos de “secundarista”, passando pela vida “universitária” e até mesmo política, sindical e partidária.
Desta forma, ele representou, dentro deste grupo, a figura de transição entre os antigos militantes e fundadores da APLB-BA e do SINPRO-BA, sua “primeira geração”, formada por lideranças, como Amabília e Amazília, Antônio Pimenta, Aristocléia, Dilza Atta, Hélio Carneiro, Jair Brito, Maria Augusta, Nei Meira, Rhamakrhisna e Raimundo Duarte, todos ainda da década de 50, e sediados na antiga Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, - FFCH -, na Avenida Joana Angélica/Nazaré, depois transferida para a Faculdade de Educação da UFBA – FACED, no Vale do Canela.
Vale lembrar que neste prédio se abrigavam todas as licenciaturas, além de alguns bacharelados, e daí partiu o que podemos chamar de “segunda geração”, de onde saíram Juscelino, além dos já anteriormente citados, Arapiraca, Eugênia Lúcia, além de Barral, Carrera, Edilson Gedalva, - a primeira presidenta da APLB-BA -, Geraldo e Jací Soares, Laerte, Paulinho Lisboa, todos eles formados na década de 60, e tidos como da “geração cassada e frustrada pela ditadura em seus sonhos”, como costumava dizer Eugênia.
Esta “segunda geração” se dedicou a retomar os trabalhos da APLB-BA, bastante comprometidos pela ditadura militar, resolve aliado “a junta governativa” que a mantinha funcionando precariamente, abrir um “amplo processo de filiação”, para contemplar os “licenciandos” e, assim, construir uma significativa base social que lhe permitisse reconstruir uma atuação mais efetiva de mobilização e organização da classe trabalhadora, em geral, e dos educadores, em especial.
Daí deste processo é que sairá a nova diretoria, da APLB-BA, presidida por Juscelino, que irá organizar também, junto com o secretário Navarro de Brito, o “curso concurso” de 100 e 60 horas, em 1968 e 1970, que vão compor a base das experiências educacionais dos “Centros Integrados”, Anísio Teixeira, Góis Calmon, Luís Tarquínio, Luís Viana e Pires de Albuquerque, além de outros que estão a merecer uma cuidadosa história da educação baiana.
Vale lembrar que daí também saiu à ampla mobilização nacional para a discussão e o enfrentamento da Lei 5692/71, com que a ditadura militar tentava impor o ensino profissionalizante de base estadunidense. Em consequência destas mobilizações contra a Lei 5692/71, e, muito especialmente, dos vários seminários, encontros e congressos estaduais, regionais e nacionais, promovidos pelas várias secções das APLBs e entidades congêneres, principalmente, as novas lideranças foram se formando.
Desta movimentação se constrói os sucessores de Juscelino na APLB-BA, ao tempo em que se constitui, a “terceira geração”, com os formados nos anos 70, tanto pela UFBA, formados por este trio de educadores, de onde vem Lena Santiago, Mané da Emita, Normando Batista e Zédejesusbarreto, além de eu próprio. Ao mesmo tempo, vem do curso de História, da Católica, via Raimundo Duarte, os novos dirigentes como Diogo, João de Deus e Sena e, mais tarde, Batistinha.
Neste longo percurso se construiu, em 1967, um campeonato de futebol, na exrperiência pedagógica do Anísio Teixeira, com a formação de um time dos estudantes, funcionários e professores da FFCH/UFBA, o “Integração”, que vai servir de apoio aos recém-liberados presos da ditadura, além de congregar informalmente os vários agrupamentos de professores que formaram o bloco de carnaval, “Os Filhos de Filó e Sofia”, que durante muitos anos levou a folia e a sátira aos festejos momescos. Em torno deste grupo ainda hoje se mantém o tradicional “baba dos professores”.
Saindo da APLB-BA Juscelino encara uma carreira mais técnica em órgãos do estado da Bahia, além da FACED/UFBA, ocasião em que realiza o mestrado em Stanford, nos EUA, neste momento também, participa da criação do PT e CUT, de onde sai para compor o “governo democrático de Waldir Pires”, de 1987 até 1988, que se forma com as várias forças populares e de esquerda, além dos segmentos da direita, resistentes ao autocratismo “carlista”, ocupando o cargo de Diretor Geral do II Grau, quando vem a falecer.
Mas voltando ao nosso tema que é “memórias de bar”, podemos dizer que Juscelino foi um dos grandes mestres da noite, pois desde a criação do “quarto turno”, com os professores dos Centros Integrados, aprovados nos concursos de 1968 e 1970, compunha um movimento boêmio, que nos formou na “Milonga”, com a APLB-BA e o “Baba”, onde os dias, de sábado, e as noites de segunda a sábado, transcorriam em acaloradas discussões sobre quase tudo e um pouco de nada, e em que se entremeavam teorias acadêmicas e experiências pessoais.
Estas longas “conferências” eram sempre regadas a engradados de cervejas, sempre ao pé das mesas, e intermináveis “cuba-libres” em que as sempre renovadas, incorporadas e repetidas, rodelas de limão se acumulavam no longo do copo de vidro, até quase não caber mais nada. Às vezes, as conversas se espraiavam em “longas serestas” nas quais o monocórdio violão do mestre, tentava arranhar algumas notas, em um único consagrado bordão, mais efetivo pelo teor etílico e afeto circundante, do que quaisquer rasgos de competência musical.
Mas, os mal tocados instrumentos, acompanhados por batuques desconexos e vozes desafinadas formavam um coro feliz e harmônico etílico, para desespero dos atentos e esforçados músicos, nossos acompanhantes Gilvan e Oto, e menosprezo absoluto, cabal e total do perfeccionista bossa-novista Edilson, com seu pretenso e dito semitonado violão, à maneira, pelo menos para ele, de João Gilberto e Paulinho da Viola.
Nestas longas conversas que os bares propiciavam, pontilhavam conselhos que oscilavam das mais longas e profundas leituras sobre educação, economia, filosofia e política, às mais comezinhas interpretações do vivido, em frases que lembravam “o que é viver melhor”, na vida afetiva e na profissão, com que costumava pontificar seus ensinamentos. Dentre eles, sempre me lembro de um clássico popular que dizia: Olhem, vocês, jovens, aprendam que onde se ganha o pão, não se come a carne!”“. E logo ele que se apaixonou por uma estagiária de Pedagogia, que se tornou um dos seus grandes e o último amor!
Assim, entre longas e quase eternas polêmicas existenciais, musicais e políticas transcorriam-se as gloriosas noites e os belos sonhos por um mundo melhor, que estávamos construindo. Pena que estes mestres tenham sido tão “apressadinhos” que não tenham tido de viver esta grande aventura que estamos realizando em nossas lutas e vitórias de cada dia. Restam-nos saudosos, felizes e agradecidos, homenagearmos estes grandes mestres, além de outros que nos escapam à memória agora, e brindá-los com um forte e vibrante. “Valeu, Mestres!”.

Em 1º de janeiro de 2014.
At.te,
Sérgio Guerra
Licenciado, Mestre e Doutor em História
Professor Adjunto da UNEB,.DCH1 Salvador.
Conselheiro Estadual de Educação - BA.
Colunista Político Semanal do Portal Mais Bahia.
Presidente do Instituto Ze Olivio IZO
Cronista do site "Memorias do Bar Quintal do Raso da Catarina".

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Oração do Orientador Educacional

Fazei Senhor, com que eu esteja sempre disponível a colaborar com a construção de uma nova educação;
Que eu tenha ouvidos para ouvir todos os que me procuram: cada pai, cada mãe, cada aluno, cada professor;
Que eu desenvolva a capacidade de somar
experiências e dividir conhecimentos,
contribuindo para a construção de uma Escola mais humana; E que eu cale no momento adequado,
treinando a minha habilidade de saber ouvir;
Que eu mantenha um sorriso nos lábios e ofereça a todos que , me procurarem dando-lhes o aconchego da alma; Só assim, Senhor conseguirei ser um profissional eficiente e
colaborador para com a minha comunidade e a educação na qual acredito. Amém!

Fonte: Leila de Andrade


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